No capítulo XIV da obra O Conceito de Tecnologia (2005), Álvaro Vieira Pinto discute a aprendizagem como um processo intrinsecamente social, permitindo aproximações com a teoria histórico-cultural de Lev Vygotsky (2003). Para ambos, o sujeito não se desenvolve de forma isolada: enquanto Vygotsky apresenta o ser humano como um ser histórico-social cuja formação depende de experiências e interações, Vieira Pinto argumenta que a aprendizagem é a resposta do homem à necessidade de subsistência.
Nessa perspectiva, o desenvolvimento humano e a tecnologia caminham juntos. De acordo com Vieira Pinto, o homem aprende e evolui a cada nova mediação técnica: da escrita de uma carta à instantaneidade do WhatsApp. Essa evolução repercute na tese vygotskyana de que a aprendizagem desperta processos internos de desenvolvimento que só ocorrem por meio da interação com o ambiente cultural.
Para Vieira Pinto, o homem não apenas estende seus membros, mas expande sua própria capacidade cognitiva: "o homem não cria asas que sejam expansões de seus membros, mas cria o avião como expansão do seu cérebro" (2005, p. 588). Ao tratar dessas elucidações, podemos dizer que a tecnologia não serve para a conservação estática, mas para a mudança e o progresso social. Levando isso para as práticas de sala de aula, significa que o uso de tecnologias não deve se limitar à reprodução de conteúdos ou à simples substituição de ferramentas tradicionais (como trocar o quadro por slides). Pelo contrário, elas precisam potencializar o pensamento dos estudantes, ampliando sua capacidade de investigar, criar, argumentar e resolver situações-problema.
A respeito do que é exposto por Vieira Pinto traçamos algumas aproximações com a obra de Pierre Lévy que gira em torno da ideia de que as tecnologias digitais não são apenas ferramentas, mas agentes que transformam profundamente a forma como pensamos, aprendemos e produzimos conhecimento. Para Lévy são exemplos de tecnologias das inteligência a escrita, a imprensa e o digital, e elas além de passarem informações podem mudar as funções congnitivas (memória, imaginação e raciocínio), e isso se alinha ao que citamos ateriormente a respeito da "expansão do cérebro" (Vieira Pinto, 2005).
Com o digital, o conhecimento não está preso a um lugar físico (escola, biblioteca, livro, sala de aula), ele pode acontecer em rede; essa ideia expande o conceito de interação social de Vygotsky. Dessa forma, a visão de Lévy complementa a perspectiva de Vieira Pinto ao demonstrar que as tecnologias digitais não são meros instrumentos, mas agentes de uma metamorfose cognitiva.
Olá Felipe. De que forma ou em qual medida o estudo dirigido colaborou com sua leitura e reflexões?
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